Alexandre Costa Pedrosa

Você é neuroatípico e não sabe? Os sinais que a maioria ignora na vida adulta, segundo Alexandre Costa Pedrosa 

Segundo o empresário Alexandre Costa Pedrosa, durante décadas, condições como TDAH, autismo de nível 1, dislexia e transtorno de processamento sensorial foram tratadas como questões exclusivamente infantis. O resultado dessa visão equivocada é uma geração inteira de adultos que cresceram sem diagnóstico, convivendo com dificuldades que jamais souberam nomear. Muitos passaram a vida inteira acreditando que eram preguiçosos, desorganizados, antissociais ou simplesmente menos capazes do que as outras pessoas. 

Leia até o final: o autoconhecimento que você vai encontrar aqui pode ser o primeiro passo para uma vida muito mais leve.

Por que tantos adultos chegam à meia-idade sem saber que são neurodivergentes?

Como comenta Alexandre Costa Pedrosa, a neurodivergência é um termo que abrange uma série de variações neurológicas que diferem do padrão considerado típico pela maioria da população. Isso inclui condições como o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, o transtorno do espectro autista, a dislexia, a discalculia, a síndrome de Tourette e outras. O ponto central não é que essas pessoas são menos inteligentes ou menos capazes, mas que seus cérebros processam informação, emoções e estímulos de maneiras distintas. O problema está em como essas diferenças foram historicamente tratadas: como falhas de caráter, não como variações neurológicas.

O diagnóstico tardio acontece por vários motivos. O primeiro deles é histórico: até pouco tempo atrás, os critérios diagnósticos de condições como o TDAH e o autismo foram desenvolvidos quase que exclusivamente com base em pesquisas feitas com meninos brancos em contextos ocidentais. Isso deixou de fora mulheres, pessoas negras e adultos de meia-idade, cujas apresentações clínicas frequentemente diferem desse perfil original. Muitas mulheres com TDAH, por exemplo, não apresentam a hiperatividade motora clássica, mas vivem com uma agitação interna constante que as deixa exaustas, sem jamais parecerem inquietas para quem está ao redor.

O segundo motivo é o processo de masking, ou camuflagem, que muitos neurodivergentes desenvolvem ao longo dos anos. Aprendem a imitar comportamentos socialmente esperados, a disfarçar suas dificuldades e a compensar suas diferenças com esforço extraordinário. De acordo com Alexandre Costa Pedrosa, esse processo é tão eficaz que engana médicos, professores e os próprios familiares. Mas tem um custo alto: é uma das principais causas de burnout e de quadros ansiosos graves em adultos não diagnosticados.

Alexandre Costa Pedrosa
Alexandre Costa Pedrosa

Quais são os sinais mais ignorados de neurodivergência em adultos?

Dificuldade persistente em organizar tarefas cotidianas, mesmo quando a pessoa é inteligente e bem-intencionada, é um dos marcadores mais comuns do TDAH adulto. Não se trata de falta de vontade, mas de uma dificuldade real em iniciar, manter e concluir atividades que não oferecem estimulação suficiente ao cérebro. Como destaca Alexandre Costa Pedrosa, esse padrão muitas vezes se manifesta como procrastinação crônica, prazo sempre no limite e sensação constante de estar aquém do próprio potencial.

Para pessoas no espectro autista que chegam à vida adulta sem diagnóstico, os sinais costumam ser mais sutis. Dificuldade em conversas informais, necessidade de rotinas rígidas para se sentir seguro, sensibilidade intensa a sons, texturas ou iluminação, tendência a se relacionar de forma mais direta e literal do que o esperado socialmente e esgotamento profundo após interações sociais prolongadas são marcadores frequentes. Muitos recebem ao longo da vida rótulos como tímido, excêntrico, antissocial ou muito intenso, sem que ninguém investigue o que está por trás desses comportamentos.

O que muda na vida de um adulto após receber um diagnóstico tardio?

Receber um diagnóstico de neurodivergência na vida adulta é uma experiência descrita por muitos como profundamente libertadora, mas também emocionalmente complexa. A libertação vem de finalmente ter uma explicação para décadas de dificuldades inexplicadas. O luto vem de entender que muitos anos foram gastos lutando contra a própria natureza, tentando se encaixar em um molde que simplesmente não foi feito para a forma que esse cérebro tem. 

Processar essas duas dimensões ao mesmo tempo exige suporte terapêutico adequado.

No plano prático, o diagnóstico abre portas para intervenções que fazem diferença concreta. No caso do TDAH, o acompanhamento psiquiátrico pode incluir farmacoterapia com resultados expressivos para concentração, regulação emocional e qualidade do sono. Para o autismo, não há medicação específica, mas a terapia cognitivo-comportamental, o coaching de habilidades sociais e os ajustes ambientais podem transformar a qualidade de vida. Em ambos os casos, o simples ato de entender como o próprio cérebro funciona já permite estratégias de compensação muito mais eficazes.

Socialmente, conforme elucida Alexandre Costa Pedrosa, o diagnóstico também impacta. Muitos adultos neurodivergentes relatam melhora nos relacionamentos após conseguir explicar aos parceiros, amigos e colegas por que reagem de certas formas. A comunicação muda quando não há mais vergonha em dizer que determinados ambientes são sobrecarregantes, que determinadas interações são exaustivas ou que o jeito de processar emoções segue uma lógica diferente da esperada. O diagnóstico, portanto, não rotula: ele nomeia. E nomear é o primeiro passo para compreender.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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