Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas, observa um movimento que vem redesenhando as exigências do setor no Brasil: a indústria projeta faturamento de R$ 168 bilhões em 2026, sustentado por investimentos de R$ 31,7 bilhões previstos até 2027 em expansão fabril, novas tecnologias de reciclagem e embalagens mais sustentáveis. Esse volume de recursos não está sendo direcionado por acaso: reflete uma mudança de lógica que vem redefinindo o que se espera de uma embalagem plástica, especialmente das feitas em polipropileno, como o plástico corrugado.
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De discurso ambiental à engenharia de materiais
Até pouco tempo, sustentabilidade na indústria de embalagens era, em boa parte, um discurso de marca. Hoje, o critério mudou de natureza: fala-se em circularidade real, planejada desde a concepção do produto, e não mais como um ajuste feito depois que a embalagem já existe. Um exemplo direto dessa virada é a migração de materiais multicamada para monomateriais, movimento que já se observa até em segmentos historicamente resistentes a mudanças, como o plástico bolha.
Essa transição não é apenas ambiental, mas também operacional; assim, Elias Assum Sabbag Junior observa que embalagens compostas por um único tipo de resina facilitam a reciclagem no fim do ciclo, já que não exigem separação de camadas distintas antes do reprocessamento. Isso reduz custo e complexidade logística para quem recicla, o que ajuda a explicar por que o mercado está migrando nessa direção com mais urgência agora do que há alguns anos.
Por que o plástico corrugado já nasce alinhado a essa lógica?
Nesse cenário, o plástico corrugado ocupa uma posição peculiar. Formado por duas lâminas planas de polipropileno unidas por nervuras que criam uma estrutura alveolar, o material já é, por natureza, monomaterial: não combina resinas diferentes nem camadas de composição variada. Essa característica, que originalmente foi valorizada por questões de resistência e leveza, hoje se transforma também em vantagem de sustentabilidade técnica.
Como empresário da área, Elias Assum Sabbag Junior pondera que essa coincidência entre propriedades físicas e exigências ambientais coloca o plástico corrugado em vantagem competitiva diante de outros materiais que precisam ser reformulados para se adequar às novas exigências. Enquanto parte do setor investe para simplificar sua composição química, o plástico corrugado já opera dentro dessa lógica, o que reduz a necessidade de reengenharia do produto para atender aos critérios de circularidade que vêm ganhando peso nas decisões de compra corporativa.
Conformidade técnica passa a pesar tanto quanto o preço
Outro fator que está mudando o jogo é a exigência crescente por documentação técnica e rastreabilidade. Empresas que compram embalagens em grande escala, sobretudo para exportação ou para setores regulados, já não avaliam apenas custo e desempenho físico do material: também cobram comprovação de origem, composição e potencial de reciclagem. Isso torna a conformidade regulatória um diferencial competitivo, não apenas uma obrigação burocrática.
Com isso em vista, os fornecedores que já organizam essa documentação hoje tendem a sair na frente quando a exigência se tornar padrão de mercado, já que a adaptação tardia costuma ser mais cara e mais lenta do que a antecipação.
O que muda na prática para quem especifica embalagens?
Para empresas que decidem qual material usar, a consequência prática dessa mudança é direta: a pergunta deixou de ser apenas “qual embalagem é mais resistente” e passou a incluir “qual embalagem é mais fácil de reciclar sem perder desempenho”. O plástico corrugado responde bem a essa dupla exigência, o que ajuda a explicar seu avanço em segmentos como logística, sinalização e proteção de produtos sensíveis ao transporte.
Elias Assum Sabbag Junior conclui que essa combinação entre função e circularidade tende a se consolidar como critério padrão de especificação nos próximos anos, à medida que o mercado brasileiro de embalagens amadurece e se aproxima das exigências já praticadas em mercados mais regulados.

