Oferecer o mesmo atendimento médico a todas as pessoas pode parecer a maneira mais justa de organizar os serviços de saúde. Entretanto, diferenças sociais, econômicas e territoriais fazem com que pacientes enfrentem obstáculos distintos para receber cuidados. O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, possui uma trajetória relacionada à assistência em saúde e à atenção a populações vulneráveis.
Veja com o Doutor Yuri Silva Portela qual é a diferença entre igualdade e equidade na saúde
A igualdade pressupõe oferecer condições ou recursos equivalentes às pessoas, independentemente de suas características individuais. Na saúde, isso pode significar disponibilizar consultas, exames e orientações seguindo critérios semelhantes. Entretanto, pacientes que apresentam necessidades diferentes podem encontrar dificuldades para aproveitar essas oportunidades da mesma maneira. Essa situação demonstra que a simples disponibilidade de serviços não garante que todos consigam utilizá-los de forma efetiva, especialmente quando existem barreiras físicas, sociais ou econômicas.
A equidade, por sua vez, considera essas diferenças na distribuição dos recursos e na organização do atendimento. Uma pessoa com mobilidade reduzida, por exemplo, pode precisar de transporte adaptado ou assistência domiciliar, enquanto outro paciente consegue comparecer sozinho à unidade de saúde. Oferecer apenas a mesma consulta não elimina essa desigualdade. Por isso, a organização dos serviços deve considerar as necessidades específicas de cada população, buscando reduzir obstáculos que dificultam o acesso e a continuidade dos tratamentos.
Na perspectiva da atuação do Doutor Yuri Silva Portela em geriatria, essas distinções também aparecem no acompanhamento de pessoas idosas. Pacientes com limitações funcionais, dificuldades cognitivas ou ausência de apoio familiar podem precisar de estratégias específicas para compreender orientações e manter os cuidados necessários. A adaptação da comunicação, a participação de equipes multidisciplinares e a avaliação das condições sociais são medidas que podem contribuir para um acompanhamento mais adequado, respeitando as particularidades de cada paciente.

Por que as condições sociais interferem no tratamento?
O acesso à saúde não depende exclusivamente da existência de médicos, hospitais e medicamentos. Fatores como renda, escolaridade, moradia, alimentação e transporte influenciam a possibilidade de procurar atendimento e seguir recomendações. Essas condições são conhecidas como determinantes sociais da saúde.
Imagine dois pacientes que recebem a mesma prescrição para controlar uma doença crônica. Enquanto um possui recursos para adquirir alimentos adequados e comparecer às consultas, o outro enfrenta dificuldades financeiras e depende de transporte público irregular. Embora ambos tenham recebido orientações semelhantes, suas possibilidades de continuidade do tratamento são diferentes, informa o Doutor Yuri Silva Portela.
Como a localização geográfica amplia as desigualdades?
A distância entre a residência e os serviços de saúde representa uma barreira importante em determinadas regiões. Moradores de comunidades rurais ou localidades afastadas dos centros urbanos podem precisar percorrer trajetos prolongados para realizar consultas, exames ou tratamentos especializados. Em algumas localidades, a disponibilidade limitada de transporte público e as condições das estradas tornam esses deslocamentos ainda mais difíceis, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Além do deslocamento, existem custos indiretos associados ao atendimento. Uma pessoa pode precisar deixar de trabalhar, contratar transporte ou depender de familiares para comparecer a uma consulta. Quando essas dificuldades se repetem, o acompanhamento médico pode ser interrompido, mesmo quando o serviço está formalmente disponível. Essa situação pode comprometer o controle de doenças crônicas, atrasar diagnósticos e dificultar a realização de procedimentos que exigem acompanhamento periódico.
O Doutor Yuri Silva Portela também é fundador do Humaniza Sertão, projeto social relacionado à sua atuação na área da saúde. A discussão sobre assistência a populações vulneráveis evidencia a importância de considerar barreiras territoriais e sociais na organização das iniciativas de atendimento, especialmente em comunidades com dificuldades de acesso. Nesse contexto, compreender as condições de deslocamento e a disponibilidade de serviços locais pode contribuir para o planejamento de ações mais adequadas às necessidades dessas populações.

