Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, tem no Sul da Itália uma de suas maiores fontes de inspiração criativa. Neste artigo, você vai entender por que cidades como Matera, Lecce, Nápoles e Palermo exercem fascínio sobre arquitetos e designers do mundo inteiro, quais elementos visuais e construtivos tornam essas paisagens únicas e como o contato com esse patrimônio histórico influencia de forma concreta o olhar projetual de quem trabalha com espaços e estética.
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O que torna o Sul da Itália tão singular do ponto de vista arquitetônico?
O Mezzogiorno italiano é um território de camadas. Cada cidade carrega a sobreposição de civilizações que ali passaram, dos gregos aos normandos, dos árabes aos espanhóis, e essa pluralidade se traduz em uma arquitetura que não obedece a um único vocabulário formal. O resultado é uma paisagem construída onde convivem estilos, materiais e proporções que desafiam qualquer tentativa de classificação simplista.
A maneira como o sul italiano lida com a luz intensa, o calor e a escassez de recursos ao longo dos séculos gerou soluções construtivas de grande inteligência. Para Daugliesi Giacomasi Souza, essas respostas vernaculares inspiram desde projetos residenciais até intervenções em espaços públicos contemporâneos, precisamente porque nascem de uma necessidade real e não de uma tendência passageira.
Por que Matera é considerada uma referência obrigatória para designers?
Matera é possivelmente o exemplo mais radical de arquitetura integrada à paisagem natural que o mundo ocidental oferece. Seus sassi, habitações escavadas diretamente na rocha calcária, representam uma forma de construir que não impõe ao território, mas que dialoga com ele de maneira orgânica e precisa. O espaço ali não é projetado sobre a terra, ele emerge dela!

Daugliesi Giacomasi Souza destaca que visitar Matera é uma experiência que reorganiza prioridades criativas. A cidade obriga o olhar a desacelerar, a perceber a textura das superfícies, a escala humana dos espaços e a relação entre interior e exterior de uma forma que nenhuma referência bibliográfica consegue reproduzir com fidelidade. É um laboratório vivo de arquitetura vernacular com relevância absolutamente contemporânea.
O que Lecce e o barroco apuliano ensinam sobre ornamento e identidade?
Lecce é conhecida como a Florença do Sul, e a comparação não é exagerada. O barroco apuliano, construído sobre a pedra calcária local de cor dourada, atingiu ali um grau de elaboração decorativa que é simultaneamente exuberante e coerente. Cada fachada é uma composição em que colunas, folhagens esculpidas, figuras e molduras se organizam segundo uma lógica que, apesar da abundância, nunca perde o ritmo.
Conforme Daugliesi Giacomasi Souza observa, o que Lecce ensina não é a repetição do ornamento histórico, mas a compreensão de que o detalhe tem função narrativa. Em um projeto contemporâneo, a lição do barroco apuliano se traduz na capacidade de fazer cada elemento comunicar algo, de transformar superfícies em experiências sensoriais e não apenas em acabamentos técnicos.
Como o Sul da Itália alimenta a prática criativa de designers contemporâneos?
A viagem ao sul italiano não funciona como turismo cultural convencional para quem trabalha com design e arquitetura. Ela opera como uma imersão em soluções que o tempo já validou, em escolhas estéticas que sobreviveram a séculos de uso e que ainda hoje dialogam com quem as habita ou as visita. Esse tipo de referência tem um peso diferente daquele oferecido por tendências efêmeras ou por imagens de plataformas digitais.
Em síntese, Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acredita que o designer que conhece profundamente a história construída tem mais recursos para criar o novo com consistência. O Sul da Itália, com sua densidade histórica, sua luz singular e sua capacidade de surpreender a cada curva de rua, é um dos territórios mais generosos que o mundo oferece a quem projeta espaços com intenção e sensibilidade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

