Marcello José Abbud esclarece que poucas palavras circulam tanto e explicam tão pouco quanto sustentabilidade. Ela aparece em rótulo de produto, plano de governo e relatório corporativo, quase sempre como sinônimo de plantar árvore ou reciclar embalagem. Quem pergunta o que é sustentabilidade costuma receber uma resposta pela metade, e é justamente a metade que falta que muda o significado da palavra.
A associação da sustentabilidade apenas à dimensão ambiental é o erro mais frequente entre aqueles que iniciam seus estudos sobre o tema: a sustentabilidade envolve um equilíbrio entre três dimensões simultaneamente, e desconsiderar duas delas ajuda a entender por que tantas iniciativas bem-intencionadas falham. Continue a leitura e descubra mais!
O que significa sustentabilidade, afinal?
Marcello José Abbud destaca que, na definição mais aceita, sustentabilidade é a capacidade de atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as próximas gerações atenderem às suas. A formulação nasceu em um relatório das Nações Unidas conhecido como Nosso Futuro Comum e, de lá para cá, saiu do vocabulário diplomático para ocupar contratos, licitações e decisões de consumo. O núcleo da ideia permanece o mesmo: usar recursos em um ritmo que permita a sua reposição.
Há uma distinção útil escondida aí. Sustentabilidade é uma condição, um estado de equilíbrio; desenvolvimento sustentável é o processo de chegar até ela. Confundir os dois leva a tratar como ponto de chegada aquilo que, na prática, é uma trajetória longa de ajustes e correções constantes.
Os pilares da sustentabilidade: ambiental, social e econômico
Marcello José Abbud observa que os chamados pilares da sustentabilidade são o que fundamenta o conceito. O aspecto ambiental diz respeito à interação com os recursos naturais: água, terra, ar, diversidade biológica e a capacidade dos ecossistemas de suportar o que a atividade humana retorna a eles. O aspecto social se preocupa com os indivíduos que estão tanto direta quanto indiretamente impactados: as condições laborais, a saúde, o acesso a serviços e a distribuição dos benefícios. O econômico traz à tona uma questão incômoda, mas essencial: quem arca com os custos e por quanto tempo consegue suportá-los?
O que sustenta a sustentabilidade? Há três pilares que sustentam a sustentabilidade: o ambiental, que protege os recursos naturais e minimiza os danos; o social, que proporciona condições justas e dignas para os trabalhadores e as comunidades; e o econômico, que garante que a atividade seja viável financeiramente no longo prazo. Um projeto só é verdadeiramente sustentável se conseguir conciliar os três ao mesmo tempo. Essa exigência de simultaneidade que o senso comum frequentemente não consegue perceber.

Exemplos práticos: onde os três pilares se encontram?
Uma cidade decide encerrar seu lixão. A decisão parece puramente ambiental, mas repare no que ela arrasta: centenas de catadores que tiravam renda dali precisam ser incluídos em cooperativas ou na coleta formal, o que aciona o pilar social, e o município passa a pagar por aterro sanitário ou usina de tratamento, o que exige tarifa ou orçamento, acionando o pilar econômico. Ignorar qualquer um dos lados faz a solução desandar.
Situações como essa, esclarece Marcello José Abbud, são o melhor laboratório para entender o conceito, porque expõem os conflitos que a definição de manual esconde: proteger o ambiente pode encarecer um serviço público, e baratear o serviço pode significar empurrar o custo para a saúde da população vizinha.
Onde o conceito costuma falhar na aplicação?
O fracasso mais comum não é a negação, é a caricatura. Empresas que trocam o canudo e mantêm o processo poluente, cidades que plantam canteiros enquanto o lixão segue ativo, marcas que estampam folhas verdes em produtos de vida útil curtíssima. O nome disso é greenwashing: a aparência do primeiro pilar sem o compromisso dos outros dois.
Para separar discurso de prática, Marcello José Abbud aponta um critério simples: verificar se a iniciativa alterou algum processo central da operação ou apenas a comunicação em torno dele. Mudança real aparece em indicador, contrato e rotina; mudança cosmética aparece em campanha publicitária e some no relatório seguinte.
Um conceito para orientar decisões, não para decorar discursos
Definir sustentabilidade, no fim, importa menos do que usá-la como critério. Diante de qualquer escolha, pública ou privada, as três perguntas dos pilares continuam funcionando: o que isso faz com os recursos naturais, o que faz com as pessoas envolvidas e quem sustenta a conta ao longo do tempo.
Quem incorpora esse filtro descobre que o conceito nunca tratou de abraçar árvores nem de renunciar ao crescimento. Trata de crescer de um jeito que não destrua as condições do próprio crescimento, e essa ideia cabe em qualquer mesa de decisão, da prefeitura de uma cidade pequena ao conselho de administração de uma multinacional.

