Sergio Bento de Araujo

Educação de Jovens e Adultos: Desafios, importância social e caminhos para uma formação mais atual

Como empresário especialista em educação, Sergio Bento de Araujo, explica que a Educação de Jovens e Adultos continua sendo uma modalidade decisiva para ampliar oportunidades, corrigir trajetórias interrompidas e fortalecer o direito à aprendizagem ao longo da vida. Esse debate precisa ser tratado com seriedade, visão social e atenção à realidade de quem retorna à escola em fases diferentes da vida. 

A contar disso, buscamos através deste artigo analisar por que a EJA mantém relevância estratégica no Brasil, quais desafios ainda limitam seu alcance, como a modalidade vem mudando de perfil e por que sua atualização se tornou indispensável. Confira mais a seguir!

Por que a Educação de Jovens e Adultos segue tão importante no Brasil?

A relevância da Educação de Jovens e Adultos está diretamente ligada ao fato de que milhões de brasileiros ainda não concluíram as etapas da educação básica no tempo esperado. A modalidade foi estruturada justamente para atender pessoas que tiveram sua trajetória escolar interrompida e precisam de uma oferta mais adequada à vida adulta, ao trabalho, à família e às dificuldades acumuladas ao longo do tempo. 

Essa importância não é apenas individual, já que, quando a EJA funciona bem, ela melhora condições de inserção produtiva, amplia autonomia, fortalece cidadania e reduz desigualdades educacionais históricas. A modalidade, segundo Sergio Bento de Araujo, precisa ser vista menos como compensação tardia e mais como parte legítima da política educacional brasileira. Esse olhar é ainda mais relevante em um contexto no qual o MEC lançou, em março de 2026, a plataforma CadEJA para facilitar o registro de interesse de jovens e adultos em voltar a estudar e orientar redes de ensino na oferta de vagas.

Quais desafios ainda dificultam o avanço da EJA?

Um dos principais desafios está na permanência. Não basta abrir vagas se a estrutura não considera o cotidiano real do público atendido. Muitos estudantes da EJA precisam conciliar estudo com trabalho, deslocamento, responsabilidades familiares e longos períodos afastados da escola. Isso exige metodologias mais flexíveis, acolhimento institucional e uma organização escolar capaz de dialogar com experiências de vida muito diversas. Conforme alude Sergio Bento de Araujo, quando esse ajuste não acontece, a evasão se torna uma consequência previsível, e a modalidade perde força justamente onde deveria ampliar inclusão.

Outro problema é a necessidade de qualificação permanente da oferta, isso porque, a EJA não pode ser tratada como uma versão reduzida da educação regular. Ela precisa considerar ritmos próprios, trajetórias interrompidas e objetivos concretos de quem retorna à escola. Atualizar a modalidade significa rever linguagem, currículo, organização do tempo e sentido prático da formação. 

Sergio Bento de Araujo
Sergio Bento de Araujo

Mudança de perfil e necessidade de atualização pedagógica

A EJA também mudou de perfil, e isso precisa entrar no centro do debate educacional. Reportagem publicada em 30 de março de 2026 mostra que a modalidade vem registrando um público mais jovem, ao mesmo tempo em que os dados recentes revelam queda histórica de matrículas. Esse cenário sugere que a discussão sobre a EJA já não pode ficar restrita à ideia de retorno tardio de adultos mais velhos, porque a modalidade também passou a receber com mais intensidade jovens que não concluíram a educação básica no fluxo regular.

Essa mudança de perfil exige atualização pedagógica e institucional. Se o público é mais diverso em idade, experiência e expectativa, a resposta da escola também precisa ser mais sofisticada. Isso inclui integrar formação geral, desenvolvimento de competências e, quando possível, articulação com educação profissional. Sergio Bento de Araujo ajuda a evidenciar que a EJA ganha força quando deixa de operar apenas na lógica da reposição e passa a construir percursos formativos mais conectados ao presente, à empregabilidade e ao projeto de vida dos estudantes. 

Como construir uma formação mais atual para jovens e adultos

Uma formação mais atual para a EJA depende de planejamento, leitura territorial e compromisso com permanência e qualidade. Ferramentas como o Panorama da EJA no Brasil foram apresentadas pelo MEC justamente para ajudar gestores a visualizar onde estão os maiores desafios e orientar ações de política pública com mais precisão. Esse tipo de instrumento mostra que a modalidade precisa ser tratada com base em dados, e não apenas em intenções genéricas.

Também será cada vez mais importante ampliar o acesso à organização e dar visibilidade ao direito de retorno à escola. Sergio Bento de Araujo conclui, portanto, que a Educação de Jovens e Adultos precisa ser pensada como uma ponte entre a reparação educacional e o futuro. Quando a modalidade é atualizada, bem estruturada e valorizada, ela não apenas recupera vínculos com a escola, mas amplia horizontes pessoais, profissionais e sociais. Em um país que ainda convive com fortes desigualdades educacionais, fortalecer a EJA continua sendo uma decisão estratégica para tornar a educação básica mais inclusiva, mais efetiva e mais coerente com a realidade brasileira.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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