Parajara Moraes Alves Junior

O passo a passo para organizar sua declaração do zero

Muitos produtores tratam o Livro Caixa como papelada que só interessa ao contador, entregue apressadamente em março para fechar a declaração de Imposto de Renda, quando, na verdade, se trata de obrigação legal do próprio produtor, cuja manutenção correta ao longo do ano evita tanto autuações quanto pagamento de imposto maior do que o devido. Essa visão equivocada sobre quem realmente precisa cuidar desse controle costuma custar caro no fim do ano.

Parajara Moraes Alves Junior, contador especialista em agronegócio, observa que produtores que organizam o Livro Caixa mês a mês, e não apenas na época da declaração, conseguem tomar decisões financeiras mais informadas ao longo de toda a safra, além de reduzir significativamente o risco de erros na apuração final do imposto devido. Organizar esse controle do zero, com método, é mais simples do que parece.

Passo 1: separar a conta bancária da atividade rural da conta pessoal

Manter uma conta bancária exclusiva para a atividade rural, sem misturar despesas pessoais da família com despesas da propriedade, representa o primeiro e mais importante passo para qualquer produtor que queira organizar seu Livro Caixa de forma confiável. Sem essa separação, cada lançamento precisa ser filtrado manualmente depois, tarefa que consome tempo e abre espaço para erros.

Nesse âmbito, Parajara Moraes Alves Junior explica que produtores que já operam há anos com contas misturadas costumam resistir a essa separação por comodidade, mas a mudança, uma vez feita, elimina a maior fonte de retrabalho na organização do Livro Caixa ao longo do ano.

Passo 2: registrar receitas e despesas no momento em que ocorrem

Anotar cada venda e cada despesa assim que ela acontece, em vez de deixar para reconstituir tudo de memória meses depois, evita esquecimentos e garante que o Livro Caixa reflita com precisão a real movimentação financeira da propriedade ao longo do ano agrícola. Aplicativos simples de celular já dão conta dessa tarefa para a maioria dos produtores.

Segundo Parajara Moraes Alves Junior, o hábito de registrar no mesmo dia, mesmo que de forma resumida, evita o acúmulo de lançamentos pendentes que, se deixados para depois, dificilmente serão reconstituídos com precisão meses mais tarde.

Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior

Passo 3: guardar notas fiscais e comprovantes de cada lançamento

Cada receita e cada despesa registrada no Livro Caixa precisa ter um documento de comprovação por trás, seja nota fiscal, recibo ou comprovante bancário, capaz de sustentar aquele lançamento em caso de fiscalização futura. Guardar esses documentos de forma organizada, por mês ou por categoria, facilita muito a localização quando forem necessários.

A ausência desses comprovantes representa um dos problemas mais recorrentes enfrentados por produtores durante uma fiscalização, já que o lançamento sem documento de apoio pode ser questionado mesmo quando a despesa foi real.

Passo 4: conciliar o Livro Caixa com o extrato bancário todo mês

Comparar, todo mês, o que foi registrado no Livro Caixa com o que efetivamente aparece no extrato bancário da conta rural permite identificar divergências enquanto ainda estão frescas na memória, muito antes de se acumularem ao longo de um ano inteiro. Na concepção de Parajara Moraes Alves Junior, essa conciliação mensal representa uma das rotinas mais simples de implementar e uma das mais eficazes para manter o controle confiável.

Perante o exposto, entende-se então que produtores que deixam essa conciliação para o fim do ano enfrentam trabalho muito maior do que aqueles que revisam mês a mês, já que divergências antigas se tornam mais difíceis de explicar quanto mais tempo passa.

Passo 5: revisar o Livro Caixa antes da declaração, não durante ela

Chegar ao período de declaração do Imposto de Renda com o Livro Caixa já fechado e revisado, e não montá-lo às pressas nos últimos dias do prazo, reduz drasticamente o risco de erros que poderiam ser evitados com mais tempo disponível para verificação cuidadosa de cada lançamento registrado ao longo do ano.

Para Parajara Moraes Alves Junior, produtores que seguem esses passos ao longo de todo o ano transformam a época da declaração em simples formalidade, em vez de correria anual que se repete todos os meses de março sem qualquer aprendizado acumulado de um ano para o outro.

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